Trabalho com educação há 13 anos.
Nesse pouco tempo tive a oportunidade de circular por vários espaços de
aprendizagem. Salas de aula, ONG's, academias de artes marciais, projetos
sociais, e muitos outros. Nos últimos 3 anos tenho trabalhado junto a estudantes do Ensino Médio com a disciplina
de Sociologia. No 3º ano do Ensino Médio trabalhamos com conteúdos relacionados
a Sociologia e Política. Quem estudou comigo nesses últimos anos deve lembrar
que sempre no 3º bimestre (é o que estamos vivendo agora na escola) nós nos
deparamos com o tema da cidadania, da luta por direitos e da atuação dos
movimentos sociais. Como atividade final do bimestre proponho a apresentação de
seminários sobre a atuação histórica de movimentos sociais como o negro, LGBT,
indígena, feminista, e dos trabalhadores rurais. Alguns estudantes, ao se
depararem com esses temas, ficam um pouco reticentes, e vêm com discursos
negativos sobre alguns desses movimentos antes mesmo de conhecê-los. Entre
concordâncias e divergências sempre temos conseguido fazer bons debates. A
apresentação desses trabalhos me trouxe uma das experiências mais emocionantes
que vivi como educador ao longo dos anos. Em uma apresentação sobre o movimento
LGBT, uma das estudantes, ao relatar a problemática da violência contra esses
grupos, se emocionou e caiu em lágrimas defronte a turma. Ela parou a
apresentação do conteúdo e relatou como, durante a pesquisa, se deparou com
dados e fatos que a fizeram rever sua visão com relação aos homossexuais, antes
enviesada por uma orientação religiosa e por aquilo que havia crescido ouvindo
os mais velhos falarem. Esse sentimento de empatia com a luta e com a dor do
outro é o mais puro exemplo dos princípios de solidariedade e fraternidade que estão
presentes no evangelho de Jesus, no altruísmo das ações (ou não-ações) proposto por tradições do pensamento oriental como o Budismo e o Taoismo, no lema da
Revolução Francesa, na Declaração Universal dos Direitos Humanos, e na
Constituição Brasileira de 1988. Esses princípios encontram lugar hoje na
escola. Só são possíveis através da educação (de dentro ou de fora da escola). Não
sei se cheguei a dizer isso para aquela estudante na época, mas essa
experiência e o seu relato me marcaram profundamente. Me fez ser mais humano. E
ter a certeza de que através da educação e do respeito as diversidades poderemos
sempre mais!
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